Será que a vida, o universo, esse monte de energia em que vivemos e que chamamos de realidade, tem o poder de "dar sinais", através das coisas ou eventos?
Se essa hipótese for correta, devemos então supor que os tais "sinais" vem em nosso favor, que a vida quer que tomemos sempre as melhores decisões para prosseguir. Afinal, o propósito da vida é prosperar, correto? Mas morrer também faz parte... mmmmm .. bom, esqueçamos esse detalhe e apenas suponhamos que são sinais "do bem".
Tudo tem a ver com o livre-arbítrio, com escolha. Diante das escolhas da vida, no mínimo, teremos duas opções. As vezes múltiplas. Mas somente uma será fatalmente melhor ou mais correta do que a(s) outra(s). E a vida não tem manual de instruções para sabermos de antemão o que será melhor para nós.
Os mais perspicazes se utilizam de experiências anteriores para tomar as decisões corretas.
Mas... e quando se está diante de uma escolha nova, que nunca vivenciamos? Aí que entram os sinais. E eles são sutis.
Vou dar um exemplo: o cidadão quer ir viajar para a praia surfar, mas na hora de sair fura o pneu, um amigo desiste, o caixa eletrônico não funciona, chove forte, etc. Parece que o universo conspira para que a coisa não aconteça. Mesmo assim, o fissurado insiste e vai. Depois, no outro dia, descobre que não devia ter ido pois se acidentou na estrada e nem deu onda.
Nesse exemplo (muito didático por sinal kkk), alguns diriam que, cada coisa que dava errado era um sinal, uma mensagem subliminar da vida, que se concretizou através de pequenos eventos isolados, de que não era o momento do sujeito ir para praia.
Falo sobre isso pois me quebrei (punho) faz 3 semanas e tive que entrar em uma folga forçada. Estou anexando aqui as fotos do parafuso que tenho a mais agora (melhor a mais do que a menos!), só por curiosidade.
Sem uma mão, não posso nem cortar meu bife, sempre preciso de alguém. Maior ainda é o problema no meu caso, que moro sozinho. Devido a essa condição, estou de molho total. Pensei em ir trabalhar mas cheguei a conclusão de que assim, mais atrapalho do que ajudo.
Inclusive, este texto foi escrito só com uma mão... um sacrifício impensável em termos de tempo, não fosse agora justamente o tempo, meu bem mais abundante.
Em resumo, não posso fazer nada além de descansar... e aí que está!
A última vez que escrevi, estava trabalhando. Mas ao mesmo tempo surfando e para isso estava me desdobrando em dois, dirigindo muito, cada hora em uma cidade, em hotéis, longe de casa, dormindo tarde, acordando muuuito cedo. E aos finais de semana, em vez de descansar, viajava mais ainda, ou de carro ou em aeroportos, fazendo e desfazendo malas a cada dois dias, loucura total.
Estava com saudade da minha cama, do meu canto. De dormir até mais tarde, de me alimentar bem. Essa quebra, por pior que seja, veio em um bom momento. Coloquei inclusive pendências da minha empresa de SP em dia, coisas que só com tempo aqui poderia ter feito.
E do jeito que estava minha vida antes, nada me pararia. Nada ia me fazer desacelerar pois eu estava no ritmo da loucura e acostumado. Só algo superior a minha vontade e possibilidade, uma parada forçada mesmo. Aí veio a fratura...
Quando cheguei no meu apto em SP, depois de operar, fiz uma consulta de bruxaria, um tipo de "jogo" que ganhei da minha ex ex, Carla, que chama I Ching e consiste em fazer uma pergunta sobre algo que lhe interesse e tirar uma mensagem em um papelete, aleatoriamente e sem ver antes, entre outros vários. Abaixo a mensagem que tirei:
"A IMOBILIDADE - É na solidão que você encontra a calma para reestabelecer seu equilíbrio. A parada faz parte do caminho. Pare um pouco para recuperar a tranquilidade e as energias. Não olhe para trás; siga em frente, agindo corretamente será possível retomar a ação."
Minha mãe disse a mesma coisa com outras palavras. E que eu deveria seguir os "sinais".
Será que esse evento foi mesmo um sinal para eu reduzir um pouco o ritmo?
Apesar de ser um descrente, um cético, um imoral (segundo Nietzsche) e de achar que isso tudo que vivenciamos é regido pela sinfonia do caos, sigo intuitivamente muitos destes "sinais". Eu os identifico muito bem, parece que nasci com a antena ligada para isso. Mesmo que não existam!
"No creo en brujas, pero que las hay, las hay".
Vou aproveitar muito cada instante do meu ócio (sem pirar, espero).
Viva a folga!
PS: Deixo aqui também um recado para os amigos que gostam de skate Guto, Monteiro, Magadan, Virgilio, Rubinho, Diogo, Vitinho, Johnny e tantos outros. Usem proteção sempre, quando estamos mais confortáveis é que acontecem os acidentes!
PS2: Quando estiver com as 2 mãos eu conto sobre a experiência de operar.
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