domingo, 4 de dezembro de 2011

Benny Blanco from the Bronx

Devo, não nego. Pago quando puder!
Da última vez que escrevi (deve estar fazendo aniversário já...) disse que contaria sobre a experiência de ter sido operado, então, aqui vai.
Sobre o título do post, para os que já viram este filme (O Julgamento Final ou "Carlito's Way") vai ficar fácil imaginar como me senti. A cena a qual me refiro se repete tanto no início como no final do filme, onde a personagem de Al Pacino, Carlito Brigante, está sendo levado em uma maca pelos corredores do hospital, após ter sido baleado a mando do marginal, ao qual o título deste post se refere, "Benny Blanco, from the Bronx".
Não vou contar nada sobre o filme, que é muito bom e recomendo aos que ainda não viram. Mas me senti como naquela cena, onde o diretor intercalou imagens do rosto do ator com uma tomada em primeira pessoa, com a vista do teto do hospital e as lâmpadas do corredor passando para trás com o movimento da maca em direção a sala cirúrgica.
Este momento foi marcante, mas não foi o início. Voltemos ao princípio.
Era sexta-feira, cheguei no hospital as 14hs. Fui sozinho, com meu carro.
Me dirigi ao local das internações do Einstein, retirei uma senha e aguardei. Fui chamado uns 15 minutos após chegar. Fiz um cadastro, respondi um questionário simples com os dados pessoais e do plano de saúde. Saí do guichê, aguardei mais ou menos uns 20 minutos e me chamaram.
O quarto era ótimo, quase um quarto de hotel. Ar condicionado a mil, tv a cabo ligada, internet, bastante espaço e banheiro privativo. Uma suíte! Deitei na cama e começei a ler um livro.
Mais ou menos meia hora depois chegou o Anestesista, chamado Paulo. Sou ruim para nomes e uso técnicas de memória associativa para me lembrar deles. Neste caso, seria difícil esquecer já que meu irmão e pai tem o mesmo nome. E mais, meu pai e o anestesista, ambos são carecas!
O careca fez então suas perguntas a respeito do meu histórico médico e também meus hábitos. Coisas do tipo; se tenho alergia a medicamentos, se já tinha passado por procedimento parecido antes, se tinha qualquer deficiência na saúde, pêso, altura, se era fumante, se fazia exercícios, etc. Passada esta parte, ele mediu com um oxímetro (dispositivo médico que mede indiretamente a quantidade de oxigênio no sangue de um paciente) como estava a minha oxigenação.
"100%, muito bom!", disse ele. Então, me explicou o que viria a seguir, onde eles me dariam uma pré-anestesia, no quarto mesmo, antes de ir para sala de cirurgia. Já na sala de cirurgia, ele iria me dar mais duas, uma para apagar e o tal de "bloqueio" no braço.
A que me apagaria, disse ele, era o propofol, mesmo anestésico usado pelos ricos e estressados para dormir. Mesmo anestésico usado pelo Michael Jackson, quando se matou. Disse ele, que o Propofol é moda devido a sua propriedade de fazer o usuário dormir profundamente, atingindo o estágio REM (acrônimo de rapid eye movement), o que faz com que a pessoa acorde com a sensação de estar realmente descansada. Os outros indutores de sono não atingem tal estágio, por isso, a pessoa dorme mas acorda com uma certa "repé".
Mais uma coisa sobre o propofol. Seu uso só é permitido em hospitais, para procedimentos cirúrgicos!

O tal do "bloqueio" (deve ser gíria de médico), deixaria meu braço dormente até o outro dia pela manhã, segundo ele. Dito e feito, ficou mesmo!
Perguntei a ele a razão da primeira anestesia, a que deveria tomar no quarto ainda e, ao descobrir que era um tipo de calmante, pois segundo ele "as pessoas ficam nervosas no caminho para sala cirúrgica", já mandei nem trazer mais!
"Coisa de boiola doutor, tá louco! Eu sou gaúcho, pode cancelar."
Conversamos então sobre esportes, em comum, tinhamos a paixão pela neve. Ele disse que esquia sempre na França e que "manda bem". Eu contei sobre minhas experiências com o snowboard, que incluem muitos tombos, alguns feios, mas nunca algo como aquela fratura, motivo pelo qual estávamos ali conversando.
Por fim ele me disse que em seguida ligariam para o quarto e quando isso acontecesse, seria para eu me preparar, tirando toda roupa (incluindo as debaixo) e vestindo o aventalzinho verde que ele deixara na mesa, com a abertura em "v" virada para as costas. O kit incluia ainda um sapatinho e uma touca.
Então o careca simpático saiu do quarto e comecei a ler novamente.
Passado mais um tempo, o telefone tocou. Então, coloquei meu traje para o evento.
Logo entrou na sala o enfermeiro, trazendo a maca. Me fez deitar nela e perguntou se eu não queria que ele tirasse uma foto para colocar no "face".
- "Não tenho face", disse a ele.
- "Como assim? Quem não tem face hoje em dia?" Perguntou ele.
Respondi que eu! Mas que tinha um blog aí...que ninguém lia.
De qualquer forma, não queria foto!

A seguir veio a cena do Carlito Brigante no filme. Eu deitado na maca, coberto, só com a cabeça de fora, olhando para cima, as lâmpadas passando para trás com o movimento da maca em direção ao "açougue".

Chegando lá, mais ou menos as 16:40, estava meu médico, Dr. Mário (the butcher), o careca anestesista e mais 2 assistentes.
Eu, fazendo piadinhas sobre o ambiente, achando tudo muito novo, engraçado, lá deitado curtindo a experiência e eles já bem focados, fazendo um "check list" dos procedimentos, conferindo instrumentos, a ressonância e outras coisas.
Aí o careca enfia o acesso na minha veia para dar o tal de propofol. E como eu ainda estava em plena maré de azar, ele errou a veia. Depois de abrir o segundo buraco, começou a entrar com uns dados numa maquininha que estava plugada ao anestésico e ao meu braço.
Então comecou a vir aquele líquido pelos caninhos em direção ao meu braço e no momento em que o líquido entrou na minha veia, já senti aquele formigamento subindo pelo corpo. Aí me senti como em outro filme, dessa vez o Matrix (o único que presta), na cena onde Neo, após tomar a pílula vermelha, toca um espelho e começa a ser engolido pelo mesmo.
As útimas coisas de que lembro foi ter dito ao careca "Dr., é bom hein...", e ele me respondendo "sim é bom" com um sorriso no rosto. E apaguei.
Acordei em outra sala grande, onde tinham outras macas, também com outros pacientes, com a enfermeira me chamando. Já não estava mais como o avental verde mas agora com um outro, branco com bolinhas azuis.
"Mas como?" - pensei. Putz...
Olhei para o braço e estava lá o gesso, vinha da mão até um pouco antes do cotovelo.
A sensação foi de acordar de uma boa noite de sono, bem sonolento, com preguiça.
Aí me levaram na maca de volta para o quarto, deveria ser por volta de 19hs e minha mami já estava esperando.
Não poderia voltar dirigindo então combinei que ela iria de táxi e depois voltaria dirigindo o meu carro.
Perguntaram se eu precisava de ajuda para sair da maca mas saí sozinho, caminhei perfeitamente até a cama. A única coisa que senti foi fraqueza, precisava comer algo. Estava em jejum desde as 8 da manhã e morrendo de fome. Fui ao banheiro, voltei, deitei de novo e fiquei conversando com a mãe.
Em seguida entrou a enfermeira com minha refeicão, um frango com pure e salada, gostosinho até. Quando terminei o prato já podia sentir meu corpo mais forte. Acordei de vez e começei a querer ir embora.
Liguei para o Dr. Mário e perguntei até quando deveria ficar ali. Ele me disse que quando me sentisse bem, poderia sair. Disse a ele então que estava ótimo depois de comer e ele me liberou.
As 20hs, seis horas após chegar, sai do hospital, caminhando tranquilamente.
Só tive mais 2 desconfortos depois, um foi com a minha mão dormente e quente. Fiquei a noite toda com aquela sensação ruim de quando a gente dorme em cima do braço, péssimo. O outro foi a mãe, dirigindo de noite, um carro que ela nunca tinha dirigido, grande... quase tive que assumir, com propofol e tudo.
Mulheres...

A propósito, minha mão está evoluindo muito bem, inclusive já peguei onda quinta-feira passada. Dr. Mário disse que eu não surfaria antes do natal. Estava enganado.
E esse texto já foi escrito com as duas mãos! :)

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Meu nome agora é folga...

Uma das questões filosóficas que me intriga bastante...

Será que a vida, o universo, esse monte de energia em que vivemos e que chamamos de realidade, tem o poder de "dar sinais", através das coisas ou eventos?
Se essa hipótese for correta, devemos então supor que os tais "sinais" vem em nosso favor, que a vida quer que tomemos sempre as melhores decisões para prosseguir. Afinal, o propósito da vida é prosperar, correto? Mas morrer também faz parte... mmmmm .. bom, esqueçamos esse detalhe e apenas suponhamos que são sinais "do bem".
Tudo tem a ver com o livre-arbítrio, com escolha. Diante das escolhas da vida, no mínimo, teremos duas opções. As vezes múltiplas. Mas somente uma será fatalmente melhor ou mais correta do que a(s) outra(s). E a vida não tem manual de instruções para sabermos de antemão o que será melhor para nós.
Os mais perspicazes se utilizam de experiências anteriores para tomar as decisões corretas.
Mas... e quando se está diante de uma escolha nova, que nunca vivenciamos? Aí que entram os sinais. E eles são sutis.
Vou dar um exemplo: o cidadão quer ir viajar para a praia surfar, mas na hora de sair fura o pneu, um amigo desiste, o caixa eletrônico não funciona, chove forte, etc. Parece que o universo conspira para que a coisa não aconteça. Mesmo assim, o fissurado insiste e vai. Depois, no outro dia, descobre que não devia ter ido pois se acidentou na estrada e nem deu onda.
Nesse exemplo (muito didático por sinal kkk), alguns diriam que, cada coisa que dava errado era um sinal, uma mensagem subliminar da vida, que se concretizou através de pequenos eventos isolados, de que não era o momento do sujeito ir para praia.
Falo sobre isso pois me quebrei (punho) faz 3 semanas e tive que entrar em uma folga forçada. Estou anexando aqui as fotos do parafuso que tenho a mais agora (melhor a mais do que a menos!), só por curiosidade.




Sem uma mão, não posso nem cortar meu bife, sempre preciso de alguém. Maior ainda é o problema no meu caso, que moro sozinho. Devido a essa condição, estou de molho total. Pensei em ir trabalhar mas cheguei a conclusão de que assim, mais atrapalho do que ajudo.
Inclusive, este texto foi escrito só com uma mão... um sacrifício impensável em termos de tempo, não fosse agora justamente o tempo, meu bem mais abundante.
Em resumo, não posso fazer nada além de descansar... e aí que está!
A última vez que escrevi, estava trabalhando. Mas ao mesmo tempo surfando e para isso estava me desdobrando em dois, dirigindo muito, cada hora em uma cidade, em hotéis, longe de casa, dormindo tarde, acordando muuuito cedo. E aos finais de semana, em vez de descansar, viajava mais ainda, ou de carro ou em aeroportos, fazendo e desfazendo malas a cada dois dias, loucura total.
Estava com saudade da minha cama, do meu canto. De dormir até mais tarde, de me alimentar bem. Essa quebra, por pior que seja, veio em um bom momento. Coloquei inclusive pendências da minha empresa de SP em dia, coisas que só com tempo aqui poderia ter feito.
E do jeito que estava minha vida antes, nada me pararia. Nada ia me fazer desacelerar pois eu estava no ritmo da loucura e acostumado. Só algo superior a minha vontade e possibilidade, uma parada forçada mesmo. Aí veio a fratura...



Quando cheguei no meu apto em SP, depois de operar, fiz uma consulta de bruxaria, um tipo de "jogo" que ganhei da minha ex ex, Carla, que chama I Ching e consiste em fazer uma pergunta sobre algo que lhe interesse e tirar uma mensagem em um papelete, aleatoriamente e sem ver antes, entre outros vários. Abaixo a mensagem que tirei:

"A IMOBILIDADE - É na solidão que você encontra a calma para reestabelecer seu equilíbrio. A parada faz parte do caminho. Pare um pouco para recuperar a tranquilidade e as energias. Não olhe para trás; siga em frente, agindo corretamente será possível retomar a ação."

Minha mãe disse a mesma coisa com outras palavras. E que eu deveria seguir os "sinais".
Será que esse evento foi mesmo um sinal para eu reduzir um pouco o ritmo?

Apesar de ser um descrente, um cético, um imoral (segundo Nietzsche) e de achar que isso tudo que vivenciamos é regido pela sinfonia do caos, sigo intuitivamente muitos destes "sinais". Eu os identifico muito bem, parece que nasci com a antena ligada para isso. Mesmo que não existam!
"No creo en brujas, pero que las hay, las hay".
Vou aproveitar muito cada instante do meu ócio (sem pirar, espero).
Viva a folga!

PS: Deixo aqui também um recado para os amigos que gostam de skate Guto, Monteiro, Magadan, Virgilio, Rubinho, Diogo, Vitinho, Johnny e tantos outros. Usem proteção sempre, quando estamos mais confortáveis é que acontecem os acidentes!

PS2: Quando estiver com as 2 mãos eu conto sobre a experiência de operar.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Meu nome é trabalho!




Desque que assumi a nova empreitada (Basetec), sabia que no início a dedicação teria que ser total, ao ponto de ter que abdicar de ter um lar para ter vários. Vivo em hotéis, aeroportos e estradas, sempre tentando ser o mais compacto possível.
Vivo agora no programa "meu carro minha casa" e nele tem de tudo, desde violão, até comando de máquina perfuratriz, uniformes de trabalho, EPI's, plantas (não vegetais :)), relatórios, notas fiscais, moedas, garrafas (muitas garrafas), duas malas, três pranchas, chimarrão, enfim...
E assim, neste início que parace não ter fim, tento ser onipresente e onipotente. Preciso estar o dia todo na obra, mas também fazer o trabalho de escritório. Fora a parte comercial, que me envolvo muito pouco (e somente no pós-venda), faço de tudo.
São centenas de kilometros de estrada todo dia, horas no carro e também no telefone, torrando os neurônios. Começa a tocar, diariamente, no máximo 7:30 da manhã, horário que eu já devo estar acordado, de café tomado e pronto para apagar o próximo incêndio.
Mas o foco é esse, então sigo, como um cavalo de corrida com suas "tapas" vedando a visão de qualquer outro objetivo.
Pensando bem, solteiro, sem esposa ou filhos, acho que dedicação total ao trabalho é um bom valor para o ser humano. E pode também ser surpreendentemente gratificante, principalmente quando se trabalha em SC.
Desde sábado passado, dia 20 de agosto (aniversário do Viscerália) um mega swell potente de sul fez com que as temperaturas despencassem e o mar subisse. Não que estivesse pequeno, afinal faz tempo que não vejo baixar de meio metro. Mas agora subiu mesmo.
Hoje, em mais uma das idas e vindas, desta vez a Itapema para verificar o arrasamento das estacas de um cliente e já me reunir com ele, resolvi conferir a praia do Mariscal, que fica a 25 minutos de carro da minha obra.



Basta ver as fotos para se ter uma idéia do que peguei. Na série, vinham umas três bombas de "2 metrão prá mais", simplesmente perfeitas. Estilo o mar que peguei em Pavones. Um pouco menor talvez mas com aquela mesma pressão, mesmo tipo de onda.
O que não se vê na foto (tirada do morro que vai para 4 ilhas - desculpe a qualidade) é que para chegar lá não foi nada fácil. O frio intenso, o long molhado e gelado, parecendo que tinha sido recém tirado do freezer, a sunga molhada (frozen balls), a chuva, o chão gelado, ooofff.
Eu tinha pouco tempo então não pude me aquecer ou alongar muito, coisa que sempre faço. A remadeira foi intensa e cada espuma daquelas me arrastava por kilometros. Braçadas de urso. Peguei 3 ondas em mais ou menos uma hora, entre colocar roupa, entrar lááá atrás na arrebentação e sair. Tomei vários "sacodes" que mexeram em cada osso do meu corpo. Agora, de noite, só resta a capa do Batman, mais nada.
Se todo dia eu tivesse uma hora como essa, não me importaria nem um pouco em trabalhar todas outras 23.
Meu nome é trabalho!


sábado, 9 de outubro de 2010

Mudança

A vida é sempre cheia de surpresas né? Que loucura. Uma hora estamos de um jeito, fazemos certos planos, criamos expectativas. Mas de vez enquando vem um "cisne negro" e consigo traz o ar da mudança. Um dos segredos para uma boa qualidade de vida é a habilidade de se adptar rápido as mudanças, quando eles aparecem e são irreversíveis.
Estou falando sobre mudança porque nos últimos 365 dias minha vida mudou consideravelmente. Então, também gostaría de mudar um pouco o conteúdo daqui. De agora em diante escreverei bem menos sobre política, pela simples razão de que não vale a pena. Vivemos em um país desmoralizado, onde a canalha se aproveitou da ignorância latente para tomar conta e se estabelecer. E mesmo fora daqui, política também é quase sempre sinônimo de falcatrua.
Também, ando escrevendo tão pouco ultimamente. Muito pouco. Criei esse lugar sem nenhuma intenção escrever para os outros lerem. Então não tem problema escrever tão raramente, né? Escrevo mais é para mim mesmo, para exercitar, as vezes para desabafar. Mas a idéia era também colocar na internet fotos da gurizada, das viagens, surf, etc.
Então deixo aqui o link das fotos do meu amigo Joca e da sua recente viagem a Bahia, com a futura esposa. Bem legais as fotos. Parece que tinha altas ondas ainda... dá para imaginar pela cor da água, que ali é sempre limpíssima e na ocasião das fotos parece turva.
Clique aqui e confira as fotos.

Vou colocar um video lá da África do Sul, cidade de Durban, onde encontrei essa piscininha de ondas dentro de um shopping center. As de verdade estavam demais também. Muito bom.
Outra hora com mais paciência eu coloco umas fotos da viagem, dos jogos, do safari.



Até!



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